quarta-feira, 28 de outubro de 2009

de quando idéias tinham acento certo .
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idéia [2002]

uma cabeça vã
sem nada: sombria.

de repente, uma idéia
uma luz que inspira.

e de uma, muitas
enchendo a cabeça
outrora vazia.

domingo, 13 de setembro de 2009

parece uma casa de verdade .
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Em meio às rotineiras coisas muitas – sem cerimônias, sem alarde, sem esforço aparente. Assim-assim faz valer um dia. [discussões, implicâncias,] Risos - gargalhantes murmurações que situam, enlaçando lembrança-essências. Um pouco de prosa; um tanto bastante. O cotidiano, potencial potencializador de indiferenças, com esse muito se rende, num todo instante. Por essas, por aquelas e por mais outras, tantas: minha irmã [de coração].

domingo, 6 de setembro de 2009

da dor do não mais ter .
[ou empatia II]
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Perder, quando muito se estima, é – como vozes outras já têm dito – ver-se sem um pedaço do que se julga ser; tão íntimo, que parece ligado à essência, essa abstração que se concretiza, em dores, espasmos, choro. Lamentar parece pouco. Re-ter, impossível. Mas deixar? Não parece certo; não parece justo: não. Um impasse. Lembranças, pendências, saudade. Tudo, ao mesmo tempo, revela-se – às claras. Juntando-se; conformando-se à dor. Angústia. Gritar, correr, fugir, voltar? Não volta. É passado, quando ainda está presente. É um desde já memória; inconformada fonte para, depois, elaborar-se história. Sacralizam-se migalhas do que já se foi. Reajustam-se e ressignificam-se trechos de um cotidiano distanciado pela força da ausência; imposição do imediato. Invertem-se conceitos, revogam-se prioridades. Trocam-se pés por mãos, dificultando a sensação de um mundo já de ponta cabeça. É, ao mesmo tempo, dar-se conta e rejeitar. É percepção da negação do desapego. A dor do ainda, contudo, guardar.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

indicação [I] .
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Li, dia desses. E gostei, a ponto de escrever um post só para divulgar, hehe... Sem mais comentários. Eis o que indico:

MARQUEZ, Gabriel García. A luz é como água. Disponível para leitura aqui.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

citando [IV] .
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Nunca fui homem para “movidas” e se alguma vez acontecesse deixar-me seduzir, estou certíssimo de que não faria melhor figura que D. Quixote no palácio dos duques. O ridículo existe de facto, não é unicamente um ponto de vista.

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SARAMAGO, José. Almodovar, post do blog "O caderno de Saramago" agosto de 2009. Disponível para leitura aqui.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

meu virgular .
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Resolvi:
escreveria, e pronto
- ponto?

Em minha cabeça, só surgiram vírgulas.
Em minha cabeça, só, surgiram vírgulas.
Em minha cabeça, só surgiram, vírgulas.

Em minha cabeça...

Sem palavras,
virgulei o ponto.

Conformei-me?
- e pronto.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

use o assento para flutuar .
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Nada muito especial, o avião. Pequeno, simples... Nem bonito nem feio.
Nada muito especial... Mas não posso deixar de ler o aviso como um convite.
Um convite: “Ah, vai! Use seu assento para flutuar!”
Flutuar.
Flu-tu-aaaar... Decolamos – o avião, e eu.
Olho pela janela.
A cidade faz-se maquete. As casas, casinhas. Os carros, carrinhos... Longe.
Cidade de bonecos. Cidade de formigas... Mais longe.
Mais... Desaparece.
Ainda à janela: nuvens. Nuvens gigantemente visíveis. Suas formas – vez ou outra, questionadas –, revelam-se abstratamente concretas. Etereamente palpáveis?
Não fosse a janela, poderia tocá-las... Sim!
Palpáveis.
Fecho os olhos... Desperto – olhos bem abertos.
A janela... Pareço sair pela janela! Sito-me tocar nuvens, suas abstrações.
Engraçado: dissipam-se, as formas; dissolvem-se [nuvens são mesmo como algodão doce – não é mentira. São como algodão... doces, só que são doces, e não melam].
Toco. E somem... Assumem outra forma, nova.
Somem – em meu dedo, tudo que fica é sopro.
Sopro... sopro.
Quando sopro, dançam nuvens. Assovio nuvens. Respiro um vento, doce – um doce, bem doce; que não mela.
Doce... Há crianças, no avião – somos únicos no considerar o aviso. Os outros, sóbrios, preocupam-se: “apertem o cinto de segurança! Permaneçam! Sentados!”
Permanecer afiveladamente seguro ou, flutuando, voar? Escolho.
Voar... Vôo – o avião, e eu; voamos.
É um subir. E descer. Um turbular – subindo e descendo – e virar. Para um lado. Para o outro. Mais um pouco, um rodopio.
Eu ro-do-pio! Em cada movimento, sensações. No vôo, uma viagem – viagem, no sentido lúdico.
Viaaagem...
Percorro camadas. Camadas e camadas de nuvem – tanta coisa, sobre as nuvens; todo um mundo, nas alturas.
À sombra das asas [do avião, minhas?], feixes de luz projetam arco-íris. Quando se vai o sol – e, com ele, muitos arcos, coloridos –, surgem cores, novas.
Sim, cores. Matizes de rosa-lilás-azul, antecipando o escurecer.
O escurecer...
Anoitece. Destacam-se luzes de estrela... Estrela-se o céu. Brilha o breu.
Noite... Luz.
Voando, acordo - luz!
Fecho e abro os olhos. Acordo.
Acordo e aperto o cinto... Pousamos – o avião, e eu.
O pouso... Levanto.
Há um gosto, doce, em minha boca.
Doce... viagem.
Viagem!

Use o assento para flutuar. Funciona mesmo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

calvin [II]

terça-feira, 23 de junho de 2009

o que será que me dá vida? .
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Dia desses, fui ao cinema e, involuntariamente, dei início a uma jornada reflexiva. O filme chamava-se “Revolutionary Road”. Em versão para o Brasil, contudo, assumiu o título “Foi Apenas um Sonho” [isso de se mudar o nome do filme, todos sabem, é usual. Há vários motivos – muitos dos quais, bobos. No caso em questão, a mudança pode ser vista como uma metáfora do próprio filme; como uma sinopse].

O enredo gira em torno de um casal que, cheio de ideais, planeja uma vida junto. São dois jovens sonhadores; pretendem-se revolucionários. Com o passar do tempo, contudo – obrigações, trabalho, família, rotina... –, tornam-se justamente o oposto do que planejaram ser: normais [num sentido depreciativo; de normalizados... de normas, regras, convenções]. Toda essa mudança é retratada de modo a expressar a angústia de quem, frustrado, viu-se na condição de viver por viver; de quem se deixou levar pela vida. Os planos, as metas, os ideais... Tudo deixou de ser palpável; tudo se tornou eco de um sonho distante, impossível. As expectativas que tinham só serviram como medida de sua frustração.

Um tempo depois desse filme, assisti – dessa vez, em casa – a “Na natureza Selvagem”: ideais, in-conformidade, conflitos... e outro final angustiante. Para completar o ciclo, encontrei na estante de meu pai três livros de Herman Hesse – “Knulp”, “Rosshalde” e “Sidarta” – e resolvi ler. Em todos, os ideais, o conflito, a frustração... a angústia.

Obviamente, foi uma jornada angustiante – percebe-se pela repetição do termo nesses três últimos parágrafos –, mas não exatamente ruim [não acho que toda reflexão seja, por si mesma, boa. Por isso, não usarei dessa simplificação para me explicar – talvez de outra, mas não dessa]. Percebo, pensando os filmes, os livros e as sensações que me proporcionaram, que essas cinco histórias me despertaram grande preocupação em relação a meus próprios sonhos e planos; levaram-me a pensar em como é possível que, com o tempo, com as tarefas, com os prazos... com as demandas da rotina, eu perca meu foco; eu deixe de priorizar aquilo que considero mais relevante, invertendo meus próprios valores. Dei-me conta do risco que corro de viver por viver.

Preciso pensar bem quais são as coisas que considero valerem mais a pena; quais são os valores, ideais e desejos por que nutro as maiores expectativas - aqueles que mais me animam; que mais me fascinam. Se não priorizá-los; se não me planejar para, a longo prazo, ir ao encontro deles, serão apenas ecos; apenas lembranças, angustiantes, de um distante futuro do pretérito - afogado por um avassaladoramente rotineiro presente-futuro. Preciso cuidar para que meus sonhos, não realizados, não se tornem simples medida de meu fracasso; símbolo de minha frustração.

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Abaixo, a letra de uma música que tem servido de reforço a esses meus pensamentos - parte do processo de identificar e valorizar minhas motivações: “O que será que te excita”, dos Doces Cariocas. Os trailers dos filmes referidos [por sinal, indico; são ótimos] seguem, também.

O que será que te anima?
O que será que te anima?
Bonecos de Vitalino
ou porcelanas da China?
O que será que te domina?
O que será que te domina?
Exércitos de Roma
ou a bomba de Hiroshima?
O que será que te balança?
O que será que te balança?
O xote de Don Quixote
ou o can-can que a França dança?
O que será que te adormece?
O que será que te adormece?
Mágicas no cabelo
ou um abraço que te aquece?
O que será que te excita?
O que será que te excita?
A cachaça Ipióca
ou o tinto da Periquita?
O que será que te dá vida?
O que será que te dá vida?
A saudade da chegada
ou a certeza da partida?







segunda-feira, 22 de junho de 2009

calvin [I]

domingo, 21 de junho de 2009

alienados? subversivos! .
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De um modo geral, definir minha perspectiva, cristã, sobre o caminho a se percorrer para atender às demandas – emprego o conceito assim mesmo: em aberto, subentendendo aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais e espirituais – do “mundo perdido” não é uma tarefa simples. Mas, “água mole, pedra dura...” Tenho sido continuamente confrontado em minhas leituras e discussões no curso de história e, ainda que tímida e lentamente, alguns pontos têm se feito menos ambíguos em minha cabeça.

Como “cristão-evangélico”, carrego o fardo [sim, essa é a palavra apropriada] de ser representante de um grupo cujo histórico de posicionamentos é, no mínimo, questionável. Enquanto aspirante a historiador, sei bem que não se pode recorrer às generalizações incabíveis – como a abstração de pensar “os cristãos” como um grupo homogêneo, ainda mais quando se tem um “recorte” temporal absurdamente amplo: vinte séculos. Isso seria ignorar pressupostos básicos da teoria, da metodologia... do bom senso. Mas também sei que, costumeiramente, ainda mais para se pensar “o outro”, é o que se faz, mesmo na Academia. De forma que o pensamento e a visão acadêmica, quando convém, aproximam-se da perspectiva e da prática do [usualmente questionável] senso comum.

Retornando ao “fardo”, preconceituosamente concebido: ainda que me considere diferente da imagem que se faz de um evangélico no Brasil hoje, sou muitas vezes forçado a tentar conciliar perspectivas que, à primeira vista, seriam opostas. Não são poucos os teóricos que, com seus argumentos bem construídos – e, em muito do que apontam, possivelmente apropriados –, atingem em cheio concepções que, durante anos, construí e por que “zelei”. Muitos “colegas” universitários cristãos podem passar pelo mesmo... Não divagarei sobre o assunto – campo fértil – por não ser este ponto o centro deste post. Minha idéia é, justamente, pensar a situação oposta. Vez ou outra, leio ou ouço propostas de análise que vão ao encontro de minha busca por um posicionamento coerente e relevante; de meu desejo de mostrar às demais pessoas – e reafirmar para mim mesmo – como ser cristão não é estar alheio; como o cristianismo não só corresponde às [para alguns, inventadas] demandas por questões espirituais, mas é um caminho para mudanças palpáveis.

Um texto em particular tem sido um retornar constante nessa minha jornada. A autora, Emília Viotti da Costa, ao estudar a rebelião de escravos em Demerara, colônia britânica no Caribe, em 1823, propõe novo olhar sobre os missionários evangélicos na região e nas relações escravos-colonos. Dialogando com E. P. Thompson, que afirmou ser o protestantismo na Inglaterra uma forma de controlar os operários, promovendo a subordinação e a acomodação e, portanto, indo de encontro ao impulso radical, ela se preocupa em trabalhar com correntes dissidentes do movimento evangélico, mostrando como o discurso cristão poderia servir justamente ao sentido contrário ao da ordem estabelecida.

Emília Viotti analisa grupos “radicais”, que, fugindo ao conformismo tradicional, propunham novas formas de pensar e viver o cristianismo. Foca-se, então, no grupo de missionários não-conformistas, que, ao chegar às colônias, marcadas pela escravidão e pela afirmação – em diversas frentes: material, social, simbólica... – das hierarquias sociais, representavam, para os colonos, um risco à ordem; um risco de subversão. Citarei alguns longos trechos, esparsos, do primeiro capítulo do livro “Coroas de Glória, Lágrimas de Sangue” – com a liberdade não-acadêmica que um blog permite –, sobre esses missionários.

... levavam consigo uma mensagem de liberdade, igualdade e fraternidade e um sentido de justiça que podiam facilmente voltar-se contra a ordem estabelecida. Isso seria particularmente verdadeiro nas sociedades escravistas, onde a ética implícita nesse novo cristianismo evangélico parecia não só deslocada, mas profundamente subversiva. Não admira que a maior parte dos proprietários de terras se opusesse aos ministros evangélicos e os considerasse mais uma ameaça que um instrumento de controle social. Mas até mesmo na Inglaterra, para muitas pessoas habituadas aos instrumentos tradicionais de controle social e a uma ética de hierarquias e patronato, os dissidentes evangélicos estavam subvertendo a “ordem” social...

Esses receios e essa irritação não eram infundados. Num período de profunda polarização das classes, a linguagem da fraternidade universal, traída pela experiência cotidiana, era potencialmente subversiva (ainda mais numa sociedade escravista). A fraternidade que ela postulava, mesmo estando voltada para a redução das tensões sociais, podia de fato agravá-las. Dependendo da “práxis” política como um todo, o que começava como um processo de alienação poderia, a longo prazo, levar à emancipação. A mensagem evangélica deu aos oprimidos um código para julgar seus opressores. Suas pretensões à universalidade minavam as premissas que sustentavam as diferenças sociais e forneciam uma utopia pela qual julgar o mundo... Os colonos de Demerara não eram os únicos a suspeitar que o Evangelho pregado pelos missionários poderia ser usado contra os senhores...

A maioria dos colonos estava convencida de que dar instrução religiosa aos escravos, ensiná-los a ler, tratá-los como iguais, chamá-los de “irmãos” – abolindo assim as distinções e protocolos sociais que na experiência diária reafirmavam o poder que os senhores tinham sobre eles – cedo ou tarde lavaria os escravos a rebelar-se...

Aquilo que para os missionários era meio de controle social, para a maioria dos colonos era fermento revolucionário... E os colonos não se enganavam quando reconheciam que os missionários estavam pregando uma nova maneira de ver o mundo, uma maneira mais adequada a uma sociedade de trabalhadores livres, uma maneira que poderia minar os fundamentos morais da sociedade colonial...

Por certo, nem a London Missionary Society nem seus missionários tinham a intenção consciente de instigar à subversão... A meta... era sem dúvida resgatar almas, e não corpos. Se uma coisa era possível sem a outra, foi algo que, porém, ficou por ser visto.*

Sei que é apenas um aspecto; que não é, em si, uma solução e que não anula uma série de questionamentos bem fundamentados. Ainda assim, é um texto animador. Uma perspectiva do cristianismo e da “propagação do evangelho” como coerente – interna e externamente – e relevante: pregavam-se, com base na bíblia, idéias que iam ao encontro das demandas de um grupo na sociedade.

Pensar que missionários evangélicos eram vistos como subversivos, para ser sincero, me encanta! Aproxima-se da própria visão que tenho de Jesus e de como seus posicionamentos e suas palavras iam contra a ordem – social e religiosa – estabelecida e de como, instaurando novos paradigmas, ele se aproximava das pessoas, com suas necessidades reais – físicas, emocionais, espirituais. Gosto, em especial, da afirmação de que “A meta... era sem dúvida resgatar almas, e não corpos. Se uma coisa era possível sem a outra, foi algo que, porém, ficou por ser visto.” É esse o grupo que quero representar. Um grupo de seguidores de Jesus que, com suas subversivas palavras de igualdade, de amor, de fraternidade, alterará a desordem das coisas. Mudará a sociedade, pensando de forma integral.

...
* COSTA, Emília Viotti da. “Mundos contraditórios: colonos e missionários” In: Coroas de glória, lágrimas de sangue: a rebelião dos escravos de Demerara em 1823. São Paulo: Cia das Letras, 1998, capítulo I. Disponível para leitura aqui.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

empatia .
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A Wikipédia [não a melhor, mas, sem dúvida, uma das mais acessíveis enciclopédias] afirma que “empatia é (...) uma resposta afetiva vicária a outras pessoas (...) apropriada à situação de outras pessoas, e não à própria.” Pois é... Intrigante, a empatia, não? Um conceito que demorei a assimilar – em parte, devido à recorrente confusão com simpatia [curiosidade: no inglês, sympathy significa empatia; só para complicar], em parte porque é, simplesmente, complexo, mesmo: não parece natural.

Pois bem, [como anunciado no post abaixo] continuo de férias: sem muitas obrigações; com quase nenhuma preocupação. E apesar do tempo livre e da aparente suspensão de importantes atividades [grandes escolhas, graves conflitos, mudanças...], muita coisa acontece, por aí. Ainda que permaneça estaticamente poupado de gravidades acidentais, empaticamente sinto. E me angustio com dores outras, que acabam também minhas.

Não é sempre assim. Algumas tantas vezes, a indiferença toma conta de adversidades emocionais em potencial – evitando e distanciando. Mas quando – mesmo sem saber o porquê – há empatia, ainda que de modo passivo, é necessário reagir. E reajo como posso; como acredito, da melhor forma, poder agir.

Curioso... A Bíblia descreve um Deus consolador – um Deus consolador! Para mim, Ele deve ser o maior dos empáticos – piedoso, amoroso, misericordioso, compassivo... [adjetivos bíblicos para Deus, que têm nítida relação com empatia]

“Na minha aflição clamei ao Senhor; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo, Ele ouviu a minha voz; meu grito chegou à Sua presença, aos Seus ouvidos.” (Salmos 18:6)

“Em toda a aflição do seu povo, Ele também Se afligiu, e o anjo da Sua presença os salvou. Em Seu amor e em Sua misericórdia, Ele os resgatou; foi Ele que sempre os levantou e os conduziu nos dias passados.” (Isaías 63:9)

“E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7)

Mesmo quando pareço não poder fazer muito, oro por esse consolo divino; para que outros sintam, também, essa paz que excede todo entendimento. Na fonte dessa paz, encontro sentido. Por isso, busco compartilhar esse sentimento [isso é empatia, no sentido inverso; eis minha reação]. Compartilho o que para mim há de mais valoroso; o que acredito poder fazer a diferença em momentos de angústia. Assim - sentindo, reagindo, compartilhando, agindo... -, envolvo-me. A empatia é o oposto da indiferença. E o amar ao próximo como a si mesmo me parece a resposta apropriada - enquanto cristão, obedecendo. Enquanto próximo, sentindo - à dor compartida.
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"Amar Deus de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas." (Marcos 12:33)
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"Toda a Lei se resume num só mandamento: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'." (Gálatas 5:14)
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"Se vocês de fato obedecerem à lei do Reino encontrada na Escritura que diz: 'Ame o seu próximo como a si mesmo' estarão agindo corretamente." (Tiago 2:8)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

enquando isso... ..
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Estou de férias. Faz mais de um mês que não preciso levar tão a sério minhas leituras, meus horários... Em que outra época do ano me permitiria acordar e dormir tão tarde? Quando, senão nas férias, passaria dias sem virar as páginas de minha agenda; sem segurar uma caneta, senão para completar o Sudoku da revista de domingo? De férias, beiro a irresponsabilidade [minha mãe é categórica, nesse tópico]. Tenho coisas para fazer, é claro, mas tenho tempo – tempo de sobra... Certo? Ou seria apenas uma conivente [e conveniente] sensação? Mesmo em meus momentos de letargia, o tempo passa; as coisas acontecem... Até o meu tempo passa – meus escassos afazeres, procrastinados, acumulam-se; complicam-se. O curioso é que acabo fazendo melhor uso dos não muitos momentos de livre usufruto de uma típica semana útil acadêmica, que de todos os momentos de uma semana [por oposição, não-útil] de minhas férias. Eu, com toda liberdade que o tempo livre me possibilita, pareço prender-me à ociosidade, para, talvez depois, voltar à toda com uma rotina tensa. Não parece muito esperto, né? Tudo... Nada. Oito... Oitenta. Tenho mais um mês pela frente, antes de a rotina-compulsória assumir o controle de meu despertador e de minha agenda, eliminando parênteses excessivos. Quem sabe, até lá... Quem sabe, em algum desses meus próximos 30 dias, eu não organize, por livre e espontânea vontade, minhas férias? É... Quem sabe? Por ora, o descanso. Ah... O descanso sem culpa. Haha... O que estou dizendo? Organizar férias?! Este post é um delírio!

domingo, 28 de dezembro de 2008

novos ano e meta? .
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Precisava mesmo escrever algo aqui. E como “ano novo, coisas novas”, cá estou; aproveitando o resto deste ano para pensar o próximo. A verdade é que gosto de marcos temporais. Acho legal toda essa criatividade de metas a cada fim de ano – metas de fim de ano, e não de ano novo [geralmente, só nos finais de dezembro pensa-se nelas; em janeiro, o assunto já é outro]. E aquela esperança de coisas novas no pós-31? Uma ingenuidade animadora... Mas não apenas inovações positivamente expectantes surgem logo mude o último dígito no calendário. Não... Não tão esperançosas são as mudanças inevitáveis, incontroláveis e, algumas vezes, detestáveis. Não sou tão trágico ou pessimista assim. Como afirmei, logo no início deste post, gosto de marcos temporais; mesmo das metas esperançosas. E pensando num e noutro lado – metas e conseqüências d’A Virada, pensei em um aspecto para mim relevante. Todos já devem [se não, deveriam] ter lido sobre o pacote de mudanças ortográficas previstas para os países lusófonos [assumo que não lembro o nome que recebe o acordo]. Dia desses, li que as editoras estão gastando fortunas reformulando e reeditando livros, especialmente dicionários. O dito cujo entrará em vigor no dia primeiro de janeiro e é uma dessas mudanças inevitáveis. Não digo que seja uma das terríveis. Não. Seria um tremendo de um exagero; desnecessário. Mas é uma coisa chata, convenhamos. Quem quer reaprender regras? Ainda mais quando se trata de regras que, muitas vezes, não se sabe sequer enunciar direito – aquele conhecimento que vêm com a prática e que de tanto se ver/ler, absorve-se; adquire-se; conhecimento com que se acostuma. Assumo que sou um tremendo preguiçoso. Por isso, minha meta é não aderir, de cara, essas mudanças. Uma meta nada pretensiosa ou original, alguém diria. Provavelmente, mas isso pouco importa. No acordo assumido por nosso governo, temos até 2012 para aderir todas as mudanças previstas. Pretendo aproveitar ao máximo esse tempo. Não reeditarei meus textos [não seria lógico, necessário, nem trabalhoso, mas essa afirmação faz com que me sinta bem, como se meus textos fossem muitos, ou muito relevantes - haha...] e até que tenha absorvido as novas mudanças, serei parte do hibridismo – novo-e-velho. Aproveitarei meus anos de vêem, crêem, veem e creem enquanto bem puder [por quatro anos inteiros] ou até que me habitue totalmente a uma das versões – até que surja, também, uma nova versão do Word, que não substitua, independentemente de minhas resistências, o novo pelo velho. Aguardemos... Ah, sim. Não poderia terminar este post sem desejar um ano próspero e de paz para quem porventura ler isso a tempo – como se vê, algumas coisas não mudam.

domingo, 7 de dezembro de 2008

citando [III] .
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Eu deveria falar um pouco mais sobre esse lustre.
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Por que não? Não tenho mais família. Tudo o que tenho são candelabros.
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Tenho um aqui, acima da minha cabeça, no escritório, e mais dois no meu apartamento no Raj Mahal Vilas Setor II. Um na sala de visitas e um pequeno no banheiro. Deve ser o único banheiro em Bangalore com um lustre desses!
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Um dia, vi os três pendurados no galho de uma grande figueira-de-bengala, perto dos Jardins Lallbagh; era um menino de aldeia que estava vendendo, e comprei todos, na hora. Paguei um sujeito que tinha um carro de bois para levá-los à minha casa e atravessamos Bangalore, o sujeito, eu e três candelabros, numa limusine movida a bois!
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Adoro ver candelabros! Por que não? Sou um homem livre, posso comprar quantos lustres quiser. E por um motivo especial: eles mantêm os lagartos longe dessa sala. Verdade, Excelência! Lagartos não gostam de luz, portanto, assim que vêem um candelabro, não chegam nem perto.
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Não entendo por que outras pessoas não saem comprando candelabros o tempo todo e os instalando por toda parte. Pessoas livres não têm noção do valor da liberdade, esse é o problema.
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À vezes, lá em casa, acendo os dois ao mesmo tempo, e, então, me deito em meio a toda aquela luz e simplesmente começo a rir. Um homem vive escondido e, mesmo assim, está cercado de candelabros!
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Estou lhe revelando, aqui, o segredo de uma fuga bem-sucedida: a polícia foi me procurar na escuridão, mas me escondi na luz.
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Em Bangalore!
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[ADIGA, Aravind. O Tigre Branco. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.]
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Pode não ter feito tanto sentido para quem, porventura, tiver lido. Mas, para mim, é uma bela descrição da sensação de liberdade - em particular os paragrafos com "grifos meus".

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

todos os caminhos .

Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos, será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo e o certo é que eu não sei o que virá só posso te pedir que nunca se leve tão a sério nunca se deixe levar, que a vida é parte do mistério, é tanta coisa pra se desvendar

Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro, o escuro que se vê quem sabe pode iluminar os corações perdidos sobre o muro e o certo que eu não sei o que virá, só posso te pedir que nunca se leve tão a serio, nunca se deixe levar que a vida, a nossa vida passa e não há tempo pra desperdiçar.

[Do Lenine, (muito bem) indicada pela Bianca Bionca]

...

video

citando [II] .
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O Deus que completa o universo implodiu para tornar-se um bebê camponês, que, como qualquer outro, precisou aprender a andar, a falar e a se vestir. Na Encarnação, o Filho de Deus deliberadamente colocou-se em situação desvantajosa, trocando a onisciência por um cérebro que aprendeu o aramaico, fonema por fonema, a onipotência por braços fortes o bastante para serrar madeira, mas fracos demais para se defender. [...] Agostinho expressou esse paradoxo da seguinte maneira: “o criador do homem tornou-se homem para que ele, o governante das estrelas, pudesse mamar no peito de sua mãe; para que o Pão pudesse ter fome, a Fonte, sede; para que a Luz dormisse, o Caminho ficasse cansado em sua caminhada; para que a Verdade pudesse ser acusada de falso testemunho, o Mestre fosse açoitado com chicotes, o Fundamento fosse elevado sobre o lenho, a Força enfraquecesse, o Médico fosse ferido; para que a vida pudesse morrer” [...]
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Jesus revelou um lado íntimo de Deus, um relacionamento tão íntimo que usava a palavra Aba, ou papai, para se dirigir a ele. Um escravo no sul dos EUA captou a vantagem prática da Encarnação. Os escravos não conseguiam aproximar-se do Deus exaltado; palavras como Mestre e Senhor não eram fáceis de pronunciar. Não precisavam de um Deus distante e assombroso, mas de um Deus pessoal e próximo, a quem pudessem visualizar e amar.
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Meu Deus é tão alto que você não pode passar por cima dele,
É tão baixo que você não pode passar por baixo,
É tão grande que você não pode contorná-lo,
Você deve nele entrar por meio do Cordeiro.

Jesus desceu dos céus; desceu tanto, que nos tornou mais compreensíveis para Deus. Não apenas compreendemos Deus melhor por causa de Jesus, mas Deus também nos compreende melhor. Como declarou outro escravo norte-americano:

Ninguém conhece o meu labutar,
Ninguém, senão Cristo.


[YANCEY, Philip. O Deus invisível. São Paulo: Vida, 2001 ... um recorte que eu fiz]

domingo, 30 de novembro de 2008

certezas obtusas .
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É no mínimo curiosa a forma com que as pessoas arriscam previsões e como sentem prazer em dizer “não disse?! Sabia que aconteceria assim; eu sa-bi-ah...”. Não posso simplesmente me excluir desse grupo [das pessoas]; discurso na terceira pessoa por conveniência, apenas. Como gerencio este espaço, permito-me a abstração, a meu ver necessária. Pois bem, as pessoas tendem a, com seu olhar obtuso, não se dar conta dos detalhes – as variáveis, as incógnitas, os senões. Tudo se resume - resultado: [...] Umas poucas considerações, uma breve ponderação e uma apressada conclusão, com resultado e dois pontos. Os conflitos que porventura houvera se desfazem na possibilidade de uma conclusão pontual. Das dúvidas, toma o lugar a certeza, clara. Confiante posicionamento de quem não protagonizou as incertezas, tantas; que com suas distância e aproximação convenientes, pôde arriscar-se precipitadamente, sem medo de errar – e sem sequer desconfiar da possibilidade [e da proximidade] dos inúmeros erros imagináveis –, por se ver impune às variáveis. Enfim. Tanta coisa... Tão pouco. Este estranho parágrafo não passa de uma reclamação. Resmungos de quem, por ora, sente na pele a força dos senões e o peso e as limitadas simplifiações de certezas terceiras. Ah, fosse tudo assim, tão simples...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

twenty something .
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After years of expensive education,
a car full of books and anticipation,
I’m an expert on Shakespeare and that’s a hell of a lot
but the world don't need scholars as much as I thought.

Maybe I'll go travelling for a year,
finding myself or start a career.
I could work for the poor though I’m hungry for fame
we all seem so different but we're just the same.

Maybe I'll go to the gym, so I don't get fat,
aren't things more easy with a tight six pack?
Who knows the answers? Whom do you trust?
I can't even separate love from lust.

Maybe I’ll move back home and pay off my loans,
working nine to five answering phones.
Don't make me live for my friday nights,
drinking eight pints and getting in fights.

I don't want to get up, just let me lie in,
leave me alone, I'm a twenty something.

Maybe I'll just fall in love
that could solve it all,
philosophers say that that’s enough,
there surely must be more. Ooooh

Love ain’t the answer nor is work,
the truth eludes me so much it hurts.
But I’m still having fun and I guess that's the key,
I'm a twenty something and I'll keep being me.

I’m a twenty something.
Let me lie in, Leave me alone.
I’m a twenty something.

[Do Jamie Cullum, que tanto escuto]

...


video

terça-feira, 21 de outubro de 2008

citando .
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Eu me acho capaz de escrever para os Estado Unidos por causa do meu pendor para escrever para crianças. Acho o americano sadiamente infantil.
(Monteiro Lobato)

Este post não tem grandes pretensões [não proponho reflexões sobre o tema, nem sou, como pode aparentar, por duas referências a ele, exatamente fã de M. Lobato]. Simplesmente gosto das frases. Convenhamos, são engraçadinhas. Justifica-se, assim, a citação solitária.

sábado, 18 de outubro de 2008

para uma boa história .
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Dia desses, estava pensando no quanto gosto de coisas particularmente simples; de miudezas. Gosto, especialmente, de certas histórias. E não apenas contos de fada – desses, gosto de maneira lúdica; também de contos reais. Bem, pelo menos teoricamente reais. Relatos – que, de tanto repetidos, acabam alterados; distorcidos.

“Quem conta um fato...” declara o provérbio, que não precisa ser escrito até o fim; deixar assim, pela metade, serve como ilustração do processo de se completar uma narrativa. Preencher lacunas... Uma idéia que tem, intrínseca, outra: a de que existiria um relato imparcialmente inalterado. Um contar primeiro, que, por não-distorcido, seria uma reprodução do que, concretamente, teria ocorrido.

Pós-moderno ou não, dificilmente alguém, nos dias de hoje, crê na existência de tal discurso. Sabe-se, muito bem, talvez por serem todos prova viva disso, que o contar-e-recontar é um processo de seleção e de adaptação. Há, também, outro aspecto a se considerar: a perspectiva. Um diferenciador do discurso dos inúmeros discursantes [mais propriamente denominados atores ou agentes, dado seu papel nitidamente ativo].

Sim, estou me afastando bastante do cerne deste post. Divagarei mais um pouco, para, então, retornar.

Tenho um professor, bastante admirável, por sinal, que é fascinado por espelhos. Em livro recente, ele escreve, influenciado por Nietzsche, Ginzburg e Humberto Eco, sobre prova, retórica e... espelhos; sobre espelhos deformantes, metaforicamente referindo-se ao papel das fontes para o historiador; sobre a importância de se entender o que é espelho e o que são deformações para, ao invés de se deixar levar pelas distorções, interpretá-las, chegando-se ao objeto refletido. Esse seria o papel – de intérprete – do historiador. Muito interessante, a meu ver.

Mas retomo o início do post. Não se lembra? Volto às histórias de que tanto gosto, as contadas e recontadas, cujas alterações possíveis renderam as muitas palavras. Serei breve.

Gosto tanto de certas histórias, que, muitas vezes, peço que sejam repetidas. Especialmente se há quem nunca as ouviu antes – uma simples desculpa, na verdade, para meus pedidos, insistentes. Já sei o que deve ser dito, mas fico satisfeito em ouvir tudo outra vez, com as devidas alterações – desde que aceitáveis, obviamente.

A narração é o que me encanta. É uma habilidade – certas pessoas simplesmente não são boas nesse exercício. Já outras, de tão boas, transformam miudezas em grandes histórias. O que não significa ser prolixo – como eu. Não se trata de tamanho, mas do efeito gerado. É agradável ouvir boas histórias.

Agora, pretendo juntar o início do post a minhas divagações, aparentemente aleatórias. Há duas coisas diferentes: o contar histórias e o fazer historiográfico [pesquisar, interpretar, estudar, analisar e sintetizar]. Duas coisas que podem andar juntas. Precisa-se da habilidade de narrar; do discurso agradavelmente atrativo, para se expressar o saber cientificamente [termo aqui relacionado ao método] adquirido. Quero aprender a ser um historiador que saiba contar boas histórias. Quero um e outro saberes, para me fazer relevante. Sim, estou brincando com o que já rende muitas piadinhas, mas tentei expressar algo sério; um anseio. Se não me fiz entendido, bem... É sinal de que ainda preciso me esforçar bastante.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ideal realista .

“Nenhum homem sabe quão mau é, até que tenha tentado, de todas as maneiras, ser bom. Uma idéia tola, mas muito atual, é a de que as pessoas boas não conhecem o significado ou não passam por tentações. Isso é uma mentira óbvia. Só aqueles que tentam resistir à tentação sabem quão forte ela é. Afinal de contas, você descobre a força do exército inimigo lutando contra ele, e não se rendendo a ele. Você descobre a força de um vento tentando caminhar contra ele, e não se deitando ao chão. Um homem que cede ante a tentação depois de cinco minutos simplesmente não sabe o que teria acontecido se tivesse esperado uma hora. Essa é a razão pela qual as pessoas ruins, de certa forma, sabem muito pouco sobre sua maldade. Elas viveram uma vida abrigada, por estarem sempre cedendo. Nós nunca descobrimos a força do impulso mau dentro de nós, até que tentamos lutar contra ele. E Cristo, por ter sido o único homem que não se rendeu a tentação alguma, é o único homem que conhece, completamente, o que a tentação significa; o único realista, no total sentido da palavra.” (C. S. Lewis)

Aviso, desde já, que gosto do parágrafo acima, integralmente, por isso o reproduzi dessa forma, mas vou me deter na última das frases: Cristo... o único realista, no total sentido da palavra. Uma afirmação que, convenhamos, parece ir contra o senso comum. E não me refiro a um senso comum identificado como pensamentos erroneamente consolidados na mente do povo. Isso seria um tanto elitista de minha parte – além de ser uma abstração tremenda imaginar o povo como ente, com pensamentos homogeneamente definidos e, ao mesmo tempo, distante de mim mesmo. Refiro-me a um senso comum no qual me incluo, pensando, e não “deixando de pensar” – e, para fugir à abstração de pensamentos homogêneos, afirmo ser esse “senso comum” apenas o reflexo de muitos questionamentos, esses sim, concretos, acerca da pessoa de Jesus. O mais forte deles, o do Deus distante, etéreo.

Longe de ser a origem da incompreensão acerca de Deus ou um divisor de águas, maniqueisticamente pensando, o discurso iluminista, racionalista, pretendeu-se libertário, no sentido de afirmar o homem como senhor de si; livre de Deus. Uma de suas heranças foi a imagem de um Deus relojoeiro: aquele que criou o mundo, com todas suas engrenagens, e, depois, simplesmente deixou que as horas e os dias passassem, não interferindo nos eventos. Garantindo as voltas cronométricas dos ponteiros... As leis naturais, apenas.

Não sou adepto da filosofia iluminista, posta dessa manera – talvez você tenha percebido isso, dada a forma desleixada com que abordei o tema. Identifico-me, sim, como cristão – mais um daqueles que acreditam em Jesus como salvador e tentam seguir o que Ele disse. Acredito numa intervenção clara de Deus na História. Seria muito antitético, então, que eu pensasse em um Deus distante da criação. Mas me vejo pensando justamente assim.

Não consigo me ater à idéia de um Cristo realista. Para mim, é muito mais simples lidar com um Jesus-ideologia – os princípios, os parâmetros, a moral [com todas as ressalvas ao mal-uso da palavra]. Com isso, percebo que perco o que entendo como a marca maior do cristianismo. Não há sentido em ser cristão sem compreender Jesus como homem – o Jesus histórico, diriam alguns. E entender que Ele é Deus. Não tenho tanta dificuldade em vê-lo como parte da Trindade; compreendo seu aspecto divino, o que, para muitos é o mais difícil, mas me esforço para ligar um aspecto ao outro. O grande problema é que não há como separar o divino do humano. Daí resulta minha incompreensão.

[Percebo que este texto está se agigantando, sem ganhar um sentido claro. E me preocupo com isso. Tentarei concluir. E peço que me desculpe a confusão. Mas trata-se de um texto quase confessional... a não-coesão resulta desse caráter.]

O que garante ao homem a redenção e a possibilidade de um relacionamento com Deus é o fato de Ele ter-se feito homem. Só assim pode-se compreendê-lo. Ele optou por, dessa forma, justificando o homem com Seu sacrifício, salvá-lo. Assimilar apenas essa última parte – a da salvação – é perder um aspecto dos mais relevantes: relacionamento e compreensão de Deus. Entender Jesus como o maior dos realistas, a despeito dos paradigmas a serem quebrados, é, a meu ver, uma solução para minhas próprias dificuldades em relação a Deus.

A problemática em entender Deus como as três pessoas da trindade sempre foi clara para mim, mas acredito que um livro que li recentemente – “A Cabana”, de William P. Young [se você é dos que se recusam a ler bestseller, bem, eu não sou] – fez isso ainda mais perceptível. Quase como uma inquietação, que me fez quebrar o silêncio deste blog [talvez me refugiando na possibilidade de poucas pessoas lerem um texto assim, tão grande]. Remetendo-me, de volta, à citação inicial, acredito que, à medida em que assimilar o realismo em Cristo, conseguirei compreender melhor como sou mau – entendo que, como Ele bem fez, poderei resistir melhor, mantendo minhas convicções – e, também, ficarei mais próximo dEle, já que é esse Seu objetivo e o real sentido de tudo isso – relacionamento.

O que me propus a fazer foi justamente isto: expressar e refletir. E já que estou fugindo às regras de uma boa dissertação, vou ignorar o que me disse, certa vez, uma professora de redação; incluirei mais duas citações. Afinal, a lá de cima, dado seu tamanho, já teria sido suficiente para me garantir uma nota baixa. Como já passou meu tempo de colégio, permito-me “transgredir”.

“O Deus de poder, enquanto percorria
Em suas majestosas roupagens de glória,
Resolveu parar; e assim um dia
Ele desceu, e pelo caminho se despia.”
(George Hebert)

“Os outros deuses eram fortes; mas tu fraco tinhas de ser;
A caminho do trono cavalgaram, mas tu tropeçaste ali;
Nossas feridas apenas Deus pode entender,
E nenhum deus tem ferimentos além de Ti.”
(Edward Shillito)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

hoje .
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Dia cinco de maio de 2007 foi há um ano. Um ano... Sem dúvida é bastante tempo: 12 meses, 366 dias, 8784 horas... [poderia continuar, além dos milésimos de segundos, mas seria entediante. Deu para entender a idéia, né?] É óbvio que o período de um ano é um marco. Haja vista as comemorações – os fogos, as festas, a comida... – que ocorrem no réveillon, nos aniversários, nas bodas... Sempre marcando período [ou um conjunto de períodos] de um ano. Um ano... Representa pouco menos que um dezenove avos de toda minha vida. Uma porção considerável dos meus dias já vividos. Enfim. Dia cinco de maio de 2007 foi há um ano; dia importante: algo a se celebrar.

[Obs: sem relação alguma com o aniversário de Karl Marx ou com o de Søren Kierkegaard; é algo sem dúvida “filosófico”, mas de uma filosofia particular, e não política ou teológica – haha...]

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Dia desses me dei conta de que faz um bom tempo que não escrevo coisa alguma por aqui. Poderia usar como desculpa os estudos, que dobraram desde o último post nesta página, mas nem sou tão dedicado assim [agora mesmo, por exemplo, deveria estar, com pensamentos voltados para a escravidão no Brasil Colônia, estudando para uma prova]. A culpa cabe toda a minha falta de organização... Pois é. Já aprendi que não devo fazer promessas sobre atualizar esta página, mas quem sabe um dia não me organize melhor? Por enquanto, um texto, apenas. Por uma dia importante.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

calouro
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Apesar de alguns insistirem nessa história, ser calouro não é estar em uma situação humilhante. Ao contrário, representa uma conquista. Mostra que o tempo investido com o estudo, a ansiedade na hora das provas – e quantas provas: múltipla-escolha, discursivas, específicas, redações... -, o nervosismo da espera... Todo esse processo, que para alguns repetiu-se uma ou muitas vezes, resultou em sucesso. Pode parecer clichê, mas esta é, de fato, uma nova etapa da vida. E por isso, este é um momento para se alegrar; aproveitar as brincadeiras, fazer novos amigos [uma chance de seu orkut bombar, haha...], descobrir o ambiente e as surpresas do campus.

Na Universidade, você entrará em contato com novas idéias, com pessoas diferentes ou iguais a você, aprenderá bastante, terá novos compromissos e, provavelmente, muitos textos para ler e trabalhos para entregar. Pode parecer um pouco assustador – e, às vezes, é mesmo -, mas é incrivelmente gratificante. Afinal, você estará diante de um mundo novo, repleto de conhecimento, oportunidades e escolhas. Caberá a você discernir o que vale ou não a pena; aquilo que vai contribuir ou não para sua formação. É sua a escolha dos valores que lhe servirão de parâmetro nesta caminhada.

Aconteça o que acontecer, quando este período passar, deixe apenas de ser calouro. Não abandone a simplicidade de quando ingressou na Universidade. Pois ser calouro é ser simples. Às vezes, até ingênuo. Mas é ainda ter sonhos e esperanças; estar aberto a se encantar com novas experiências; a se encantar com o mundo e com a vida.

Aproveite este tempo, calouro, pois ele é único. E lembre-se do que disse, certa vez, um sábio: “para tudo há uma ocasião certa. Há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e de colher; de chorar e de rir; de lutar e de viver em paz. Não há nada melhor para o homem do que ser feliz e praticar o bem enquanto vive. Deus fez tudo apropriado ao seu tempo... Lembre-se do seu criador enquanto você é jovem, antes que se aproximem os dias difíceis, quando você dirá ‘não tenho satisfação neles’.” [extraído do livro bíblico Eclesiastes]

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Texto para o "jornalzinho dos calouros" - AeO/UFF
Não abandonei a idéia do texto sobre a China, mas estou prestes a me tornar calouro mais uma vez...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Campus Mission 2007 .
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20 mil pessoas. 127 diferentes países. Uma mesma bandeira. O CM2007 foi assim; surpreendente e grande.

Estar do outro lado do mundo - na Coréia do Sul, onde é noite quando aqui é dia, onde é amanhã quando aqui ainda é hoje; conversar com pessoas da Romênia, da Bielorrússia, da Mongólia, do Cazaquistão... compartilhar experiências; conhecer um pouco de diferentes culturas; trabalhar para ver, em todos os lugares, movimentos por um mesmo ideal.

Éramos todos estudantes universitários e trabalhadores, representantes do Alfa e Ômega; éramos parte desse movimento estudantil cristão que busca transmitir ao mundo a verdade em Cristo e com ela transformá-lo. Éramos todos muito diferentes; tínhamos muito em comum.

Comidas exóticas, total incapacidade de entender o idioma local – as placas com os ideogramas misteriosos faziam com que me sentisse um analfabeto –, diferentes hábitos e costume, lugares incríveis... Tudo isso foi surpreendente, mas não mais do que aquilo que experimentamos nos momentos em que, em diferentes idiomas, com diferentes gestos, todos juntos adorávamos o mesmo Deus e buscávamos sua palavra e seu direcionamento.

Como disse, surpreendente e grande. Entretanto, poderia ser ainda maior. Sim, há muitos envolvidos, mas muitos mais que sequer ouviram o nome de Cristo. Entendemos que é nosso dever fazê-lo conhecido; é nosso dever compartilhar sobre o amor, a graça, a salvação... É essa a nossa bandeira.

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Para maiores informações sobre o evento, visite http://www.cm2007.net/ - há textos e arquivos de vídeo (em inglês) muito interessantes. E já que estou indicando sites interessantes, visite também http://www.suaescolha.com/

domingo, 15 de julho de 2007

nova fase .
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Não escrevo nesta página faz muito tempo. E nesse tempo, tantas coisas... De verdade, as coisas são tantas e tão grandes [para mim, imensas] que decidi contá-las em pequenas doses – pretendo assim valorizar detalhes e evitar a fadiga. Isso mesmo, este blog viverá nova fase: uma série de postagens sobre experiências vividas nos últimos dois meses. Pode ser que as aventuras se prolonguem e, com elas, as novidades e postagens desta fase. Na verdade, ficaria encantado. Quem sabe? Por enquanto, os relatos já vividos. Recado dado. Aguardem.

sábado, 21 de abril de 2007

verdade, ainda que tardia .
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“... Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda”
Cecília Meirelles – ‘O Romanceiro da Inconfidência’


A liberdade é um constante desejo humano. Em nome dela, realizaram-se guerras, disputas e revoluções; pessoas morreram, foram presas e torturadas. Ela é tema sempre presente na História da humanidade e, reflexo disso, também em historinhas e em contos de fada.

Quem nunca ouviu sobre uma princesa presa num castelo, aguardando um príncipe, que com sua espada e seu beijo, traria libertação e um final feliz? Eu já; e não poucas vezes: a história se repete. Alguns detalhes aparecem diferentes - torres ou castelos, dragões ou bruxas, grandes tranças ou pequenos anões - mas o modelo é sempre o mesmo: uma senhorita indefesa e um rapaz encantado, herói libertador.

Se repararmos em nossos movimentos históricos por liberdade, perceberemos que, dentre tantas coisas que parecem se repetir, é usual a figura do herói. Algumas vezes, tal pessoa é liderança ativa desses movimentos e por isso passa a representá-los. Outras, ela só se torna representativa após distorções de sua imagem, de seu papel e, às vezes, distorções da própria ideologia por trás do movimento.

Observe a data deste post: é dia de Tiradentes, herói e mártir de nossa república. Não precisaria dizer que esse é um clássico exemplo de distorção, mas como já comecei, explicarei melhor [preciso amarrar meu texto. Além disso, talvez alguém não saiba].

A Inconfidência (ou Conjuração) Mineira, longe de buscar liberdade para todas as pessoas e regiões do Brasil colônia, foi uma tentativa de proclamar um Estado independente em Minas Gerais, livre da exploração da metrópole portuguesa. Em suas propostas, não constavam abolição da escravatura, expansão para outros estados ou mudanças na estrutura social: era um movimento elitista e regional. Muitos anos após a derrota dos inconfidentes, durante a República, passou-se a construir a imagem, ainda existente, de Tiradentes (o único entre eles a sofrer a “punição exemplar” – foi esquartejado) como herói, auxiliador na construção de nossa "república livre". Tal imagem não corresponde à realidade à época da Inconfidência.

Não sou contra os ‘movimentos libertadores’ e não estou propondo uma reflexão muito profunda sobre eles. Entretanto, é interessante reparar que, normalmente, eles não possuem uma definição suficientemente clara sobre o que seria a liberdade e a quem ela estaria destinada. Além disso, são, muitas vezes, mantenedores de uma ordem já existente, ou propõem outros tantos privilégios.

É claro que há exceções. Ainda assim, mesmo aqueles que propuseram mudanças eficazes, pelo bem da maioria, tiveram sérias limitações e o alcance de suas propostas e efeitos foi reduzido. Até porque, os movimentos que a historiografia chama de libertadores preocupam-se apenas com o aspecto sócio-político; muito importante, mas não suficiente.

A verdadeira liberdade ultrapassa tudo isso: envolve questões eternas. Significa, também, ver-se livre do peso do pecado, do juízo e da morte. É não estar limitado por essa vida, mas ter a certeza de uma eternidade com Deus.

Planos, propósitos, vida em abundância, eternidade. Só assim consigo pensar em uma existência realmente livre. Somente aquele que se propuser a lutar de fato por esses alvos (sem que se exclua o aspecto sócio-político, claro) a ponto de se sacrificar por elas, motivado por amor, pode ser considerado herói libertador. Segundo esse perfil, só há um herói genuíno. E é essa verdade, conhecê-la e aceitá-la, que promove a liberdade.

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“E conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará”
“Eu sou o caminho, a Verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim”
Jesus – João 8:32 e 14:6

domingo, 25 de março de 2007

futuro do [meu] pretérito .
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Quando eu crescesse, seria forte, corajoso, usaria terno, teria um carro legal e uma pasta preta, cheia de papéis importantes. Eu seria um típico adulto e meu trabalho seria minha principal diversão – se brincar de trabalhar era divertido, imagina quando estivesse trabalhando de verdade, quando estivesse verdadeiramente ajudando a salvar o mundo [era isso que as pessoas faziam quando iam trabalhar].

Eu era criança e amava andar de bicicleta, pular na piscina, subir no pé de goiaba e brincar com meus irmãos. Gostava de assistir e cantar as músicas de filmes da Disney, ler livros de histórias e chorei vendo “Free Willy” [esse era um dos meus maiores segredos]. Achava a vida que levava muito divertida, mas desejava que o tempo passasse depressa para estar logo na quarta série [ser um dos mais velhos das turmas da tarde parecia muito vantajoso]. Depois, queria que chegasse o dia em que estudaria de manhã, o dia da formatura da oitava série, o dia em que começaria o ensino médio e o dia em que terminaria o colégio. Eu queria ser grande.

Pergunto-me o que pensaria se, ainda criança, pudesse me ver como estou hoje. Muitas das minhas metas foram atingidas, o que teoricamente me caracterizaria como uma pessoa crescida, mas será que não me chocaria ao perceber que apesar de "grande", continuo a gostar de desenhos animados, de histórias em quadrinhos e que tenho a trilha sonora de “O Rei Leão” no meu computador? Ficaria tão impressionado com essas permanências como com algumas mudanças inesperadas – jamais imaginaria que viria a gostar de passas, de água tônica ou de filmes legendados.

Eu cresci, e crescer não significa simplesmente abandonar velhos gostos e hábitos. Envolve adquirir outros tantos, aprimorando a forma com que se vê, aprecia e entende a vida. Cresci, por isso vejo o futuro de uma forma diferente: não faço mais questão de ser tipicamente adulto. Entendi que para ajudar a "salvar o mundo", mais valem os valores e a fé que aprendi a ter quando criança que uma pasta preta, com seus papeis importantes.

Ainda tenho muito que amadurecer, mas não quero correr mais [ou menos] que o tempo. Quando chegar a hora, serei adulto. Por enquanto, vou apenas aproveitar melhor meus dias, fazendo o máximo do que posso e devo fazer.

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“Quando tinha dez anos, eu lia contos de fadas e ficava envergonhado quando me pilhavam. Hoje em dia, com cinqüenta anos, leio-os abertamente. Quando me tornei homem, deixei para trás coisas de menino, inclusive o medo de ser infantil e o desejo de ser muito adulto” C. S. Lewis

quinta-feira, 22 de março de 2007

eu acredito numa verdade absoluta .
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Acredito, sim, que exista o supra-humano, imutável, eterno e perfeito. Aquele em que, apesar de todas as outras coisas – essas sim, tão relativas – posso confiar; em cujas orientações me sinto seguro para pautar minha vida.

Não vejo essa verdade como uma diminuição de mim mesmo, como uma alienação de minhas capacidades, essência ou ambições. Esse ser perfeito é muito mais que uma fonte positiva de inspiração; é também fonte de amor - além de abrir meus olhos para os defeitos em mim e me impulsionar ao aperfeiçoamento, confronta-me com conceitos como perdão e graça; faz com que me sinta amado para que, então, possa amar.

Ao contrário do que se poderia dizer, abolir o amor a ele dirigido não aumentaria a unidade e o amor entre os homens. Afinal, além de amar primeiro, ele estimula o amor aos semelhantes; estimula a união e torna-a possível.

Os valores e as orientações que vêm dele de modo algum fazem com que seja alienado acerca dos problemas e das necessidades das pessoas a minha volta, mas despertam preocupação, ensinam-me a vê-las da forma com que são por ele vistas [ainda que muitas vezes eu não aja segundo tais orientações].

A certeza de uma vida após a morte não adia o desejo de auto-realização e justiça para uma outra existência, mas dá um novo sentido ao que vivo e faço aqui. Como conhecedor dessa verdade, torno-me seu representante, responsável não apenas por transmiti-la, mas por praticar seus conceitos e buscar a concretização de uma justiça social. Afinal, ele deseja o bem; deseja-o a todos.

Tenho consciência de que muitos distorceram essa verdade e, manipulando-a para atingir seus próprios interesses, enganaram e prejudicaram outros tantos. Infelizmente, ainda há quem o faça. Essas pessoas escondem o caráter justo e libertador intrínseco a ela, mas tal caráter, ainda que desconhecido, permaneceu inalterado. É também por isso que busco fazer essa verdade fielmente conhecida. Para que não mais seja vista como instrumento de dominação, e sim como fonte de liberdade.

Eu acredito. E é isso que me faz prosseguir.

sexta-feira, 9 de março de 2007

por uma história sem fim .
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Eu estava cansando. Havia andado muito tempo sob um sol de meio dia e depois de horas no ponto, quando finalmente entrei no ônibus, escolhi um péssimo assento, completamente fora da sombra, o que não amenizava, mas aumentava a sensação de calor. Já estava ficando irritado e tudo o que eu queria era chegar a minha casa, sentar no sofá, ligar o ventilador e beber uns copos de água gelada [bem gelada!]. Só isso. Naquele momento, não desejava mais coisa alguma. Era como se, alcançado meu objetivo, viesse a ser “feliz para sempre” [foi isso mesmo que pensei, com todo esse exagero].

Nem preciso dizer que depois de uns três copos, saciada minha sede, não me agüentei no sofá: fui arranjar o que fazer. Não tinha mais graça ficar ali parado e já não sentia vontade alguma de beber um quarto copo d’água – se fosse de suco, quem sabe, mas água? Uma bebida tão insípida... Em poucos minutos acabou o que seria um final feliz.

Essa não foi a primeira vez que me aconteceu fato semelhante. Na verdade, é sempre assim. Estabeleço metas [tá bom, normalmente elas são mais grandiosas que um momento de “refrigério”, mas deu para entender a ilustração, né?] e faço grande esforço para alcançá-las, desejando-as como se fossem a última etapa de uma série de acontecimentos. Depois de um tempo, metas atingidas, percebo que ainda é necessário fazer muita coisa; que ainda há inúmeros problemas a serem resolvidos. É quando surge a decepção.

Nada contra o planejamento, ou mesmo contra estabelecer metas. O problema está em supervalorizar a realização deles e em vê-la como um ponto final para a insatisfação. É isso que, depois de certo tempo, tira a alegria da conquista.

Alguns minutos após ter deixado meu sofá, acessei o site do orkut e li o seguinte no perfil de um colega de escola: “UFRJ 2007. Agora minha vida está completa!”. Pensei em como o mesmo artifício de se enganar com uma conquista assume caráter diferente para ele, que estava buscando preencher um vazio, e para mim. Eu já conheço a solução para o problema, mas às vezes pareço me envolver demais em meus esforços, esquecendo o que realmente importa.

Alegra-me saber que chegarei muito além de minhas pequenas metas e de algumas tantas decepções. Ainda que insista em pontos finais para minhas histórias, vivenciarei uma felicidade eterna. É isso que faz minha vida estar completa. Mas ainda há muitos que não conhecem o caminho para a plenitude e buscam-na por seus próprios esforços. Não posso deixar de contar a eles o que um dia Cristo conquistou na cruz. Preciso levar essa mensagem de esperança para que também experimentem a alegria da salvação, que supera toda conquista dessa vida e vai muito além de um final feliz.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

pé de feijão .
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Um copinho de café, um pedacinho de algodão, algumas gotas de água e um grãozinho de feijão, bem pretinho. Não sei quantas, mas com certeza foram muitas as vezes que fiz essa “experiência” [era esse o nome que a atividade recebia e embora mais parecesse um jardineiro, eu me sentia um cientista]. Outra coisa que não sei é o que acontecia aos pés de feijão.

Era bonito, diria até emocionante, ver crescer a plantinha, bem verdinha, toda frágil, com raízes se enroscando no algodão e folhinhas aparecendo. Ela crescia, crescia e... Sumia?

Não me lembro de como elas desapareciam do meu quarto. Será que eu parava de molhar e minha mãe jogava fora? E por que eu nunca me lembrava disso quando ia à cozinha pegar mais copinhos de café para novamente brincar de plantar feijão? Só sei de uma coisa: minhas plantinhas nunca cresceram o suficiente para eu poder escalar, chegar ao céu, na casa dos gigantes, e viver uma grande aventura.

Nunca me deparei com grãos mágicos, nem era isso que esperava. Fazia essas experiências e sabia bem no que iam dar. Ou achava que sabia. Eu, no fundo, esperava comer um prato dos meus feijões. Era sempre o que pensava. Não por fome ou gula, mas por prazer. O prazer de desfrutar do fruto do meu trabalho [desculpa, mas eu realmente via aquilo como um trabalho. Afinal, eu era um cientista].

Eu fantasiava. Mas a minha fantasia era levar a experiência até o final; ver a planta crescida. E no entanto, era eu mesmo que desistia disso: passava um tempo, demorava e eu perdia o interesse.

Será que o Joãozinho da história, se tivesse que esperar tempo suficiente [tempo de feijões normais] para sua planta crescer, teria paciência? A vantagem dele é que, nas histórias, o tempo passa rápido demais e se pode vivenciar, num curto período, diversas aventuras. Mas essa é, também, uma vantagem para mim: através das histórias, consegui viver coisas que minha curta paciência não permitiria, desejar muito mais do que imaginaria e obter muito mais que um prato de feijão.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

interlúdio .
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Sei que interlúdio não parece um bom título – talvez “prelúdio” soasse melhor, dada a idéia de início [ainda mais considerando-se que esta é a primeira postagem deste blog]. Mas, na falta de outro, esse é um bom termo para descrever o período em que me encontro.

Diferente de férias, que são basicamente um intervalo prolongado, em que se deixa de realizar uma atividade para logo voltar a sua execução, o período em questão relaciona-se a transição: saio de uma fase para outra; deixo de ser “secundarista” para me tornar universitário.

Alguns poderiam afirmar, que, no fim das contas, estarei estudando, o que não será diferente daquilo que já fazia. Não posso negar que é verdade, mas é visível a diferença. Ou pelo menos eu gostaria que fosse visível... Não sei bem o que esperar, e [por favor, sejam sensíveis à ambigüidade] a única coisa que posso fazer é esperar.

Esperar; esperar... Esperei meses para saber as notas do vestibular, mais algum tempo para que enfim recebesse os resultados. Esperarei mais uns dias para saber se conseguirei ser remanejado. E, como se não bastasse, continuarei esperando, até que as aulas comecem.

Não é o que fazemos quando diante de um interlúdio? Esperamos. É claro que com menos ansiedade, mas com certa curiosidade sobre o que vem pela frente. E admiramos a melodia, aproveitamos o momento, a pausa... A pausa.

[...]

Espero que dê tudo certo.