domingo, 6 de setembro de 2009

da dor do não mais ter .
[ou empatia II]

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Perder, quando muito se estima, é – como vozes outras já têm dito – ver-se sem um pedaço do que se julga ser; tão íntimo, que parece ligado à essência, essa abstração que se concretiza, em dores, espasmos, choro. Lamentar parece pouco. Re-ter, impossível. Mas deixar? Não parece certo; não parece justo: não. Um impasse. Lembranças, pendências, saudade. Tudo, ao mesmo tempo, revela-se – às claras. Juntando-se; conformando-se à dor. Angústia. Gritar, correr, fugir, voltar? Não volta. É passado, quando ainda está presente. É um desde já memória; inconformada fonte para, depois, elaborar-se história. Sacralizam-se migalhas do que já se foi. Reajustam-se e ressignificam-se trechos de um cotidiano distanciado pela força da ausência; imposição do imediato. Invertem-se conceitos, revogam-se prioridades. Trocam-se pés por mãos, dificultando a sensação de um mundo já de ponta cabeça. É, ao mesmo tempo, dar-se conta e rejeitar. É percepção da negação do desapego. A dor do ainda, contudo, guardar.

3 comentários:

vitrola disse...

gus!
nao resisti, vim olhá-lo.

lindo gus
bonito que dói, que jorra

que rasga mesmo

mas se a vida não é assim: uma fenda aberta em nosso peito. fenda que vira fonte.
que transborda e acaba por aliviar os sedentos.

cátia disse...

É isso. Sensação de impotência diante de algo que está por perto, mas ninguém quer encontrar. A morte!
Triste, mas... lindo!
bjo

orlicsf disse...

vira saudade.